Na manhã do dia 30 de Junho do "Ano do Milagre", o silêncio era gerado pela ausência dos sons de uma família...
A casa vazia cedia lugar para as vozes da história que eu construi até ali; onde as lembranças enchiam o ambiente daquela manhã, vociferando com solidez inabalável o valor de cada instante vivido.
( Ainda que muitas fossem as memórias de dor, o amor superou a todas; e as vozes que rompiam os tempos eram de gratidão, louvor, devoção...).
Eu acordei muito cedo. Muito cedo.
Seria a última manhã a despertar no meu quarto, na minha cama, na casa que edifiquei, no enredo de solidão que não desejei, na teia dos sonhos trancafiados em meu coração...
Eu estaria preste a me lançar no voo mais alto de minha existência, em busca do horizonte que de fato eu merecia. Pelo qual passei a vida inteira a contemplar distante, aspirando por ele do alto da montanha, em terra firme e segura, sem jamais ousar me atirar em sua busca, além dos olhos... (Pois somente com meus olhos eu voava até ele, dia após dia...).
Porém, daquela vez, eu estaria voando muito além do meu olhar!
Além, até mesmo, do que eu poderia sequer “sonhar”, porquanto este voo exigiria de mim uma coragem estupenda.
Quase maior que meus sonhos!

Ainda na cama, antes de me levantar para viver o último dia como "dona daquele lar", eu contemplei mais uma vez o “travesseiro companheiro” que vivia ao meu lado...
Lembro-me que uma lágrima inaudita rolou de meus olhos. E enternecida, comuniquei ao “amigo das madrugadas de solidão”:
_Acho que não te levarei comigo... Hoje vou embora. Deixarei tudo... Tudo messssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssmo!Abrir mão de toda uma vida, uma história, uma família, era de fato um grande passo...
Não! Não era um grande passo...
Era um gigante voo!
O maior de todos.
Mas, eu voei.
VOEI!!!!!!!!!!!!!!!!
Lancei-me do mais alto monte, exatamente no dia 30 de Junho.
Confiei nas mãos do “meu Jose” a suster minha vida...
Ele prometeu me segurar...
Prometeu jamais me deixar , nunca mais me abandonar...
Confiando no SEU AMOR eu voei, voei , voei, voei, voei com asas feridas e cansadas, mas valentes e ousadas!
No abismo mais profundo caí.
A morte vivi.
A PIOR MORTE VIVI, até que os olhos do SENHOR vieram até mim e um último clamor eu proferi.
Ainda que no abismo, PELA FIDELIDADE SEM FIM, RECEBI MEU CHERI...

Ele esta me puxando para cima. Para fora do abismo...
Não sei se vou conseguir sair, mas estou subindo e agradeço daqui, o meu amado Cheri, que do céu veio para “Bem-Te-Vi” a fim de fazer-me ouvir uma nova canção: "Bem-Me-Vi"...
Por isso, talvez, a "vida nova" que estava para nascer,( e foi roubada), um dia venha ressurgir mais linda que “o viver” e mais forte que “o morrer”...
E você, Cheri, não precisa ter ciúmes da minha dor, como disse-me hoje, porque tens o meu puro amor.
Por tua vida, ainda que no abismo, eu agradeço ao SENHOR.
Todavia, se um dia, daqui eu sair, cantarei para o "mundo" ouvir que por tua existência EU BEM ME VI!
E com toda certeza, esta nova melodia, supera em glória , louvor , honra, amor, alegria, soberania a canção que nenhum Bem-Te-Vi, entoaria.
Obrigada Cheri, por existir em mim e trazer uma nova canção ao meu coração...
Se eu aprender a cantá-la, será para ti...

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