Um dia “J” me disse quando lhe pedi um beijo:
“Não vou gostar de você nunca mais, porque você me deixou por causa de um homem safado.”
Talvez ele nem se lembre mais disto, porém, eu jamais poderei me esquecer.
Com certeza, essa afirmativa não partiu dele, mas de adultos tremendamente equivocados...
No entanto, apesar de profundamente injusta, não é uma inverdade na totalidade.
Eu não o deixei por um “homem safado”. Não o abandonei...
Iria levá-lo comigo para onde quer que eu fosse... Porém, é verdade que eu me perdi no caminho e fui abandonada como nem mesmo um cãozinho merecia...
Ao contrário do que muitos dizem, eu não amei meu Jose mais do que meus filhos... Não! Não! Não! NÃO!
Eu o amei mais do que a mim... Mais do que a mim!!!
E também, ao contrário do que muitos pensam, eu não quis ser feliz por mim. Não! Não! Não!
EU QUIS SER FELIZ, EM PRIMEIRO LUGAR, PELOS MEUS FILHOS...

Na noite anterior ao grande “voo”, na última noite que a mãe mais amorosa e dedicada deste mundo se deitou com seu filho, eu contei ao “J” uma historinha da Princesa “Felizbona” e ele entendeu que ela iria deixar seus filhos no Castelo por algum tempo, mas voltaria para buscá-los.
Com o coração puro de um menino, “J” compreendeu que Felizbona estava deixando “seu Porto Seguro” para enfrentar grandes tempestades, monstros e dragões, por amor aos seus filhos, pois ela queria ser FELIZ para fazê-los felizes também...
Felizbona era uma mãe excelente. A mais dedicada das mães.
Ela amava seus filhos mais do que tudo em sua vida.
Dedicou-se a eles esquecendo de si mesma.
Renunciou aos seus sonhos, enterrou-se viva para ser apenas “Mãe”.
E ela era uma maravilhosa mãe! Era sim!

Durante o dia, Felizbona era feliz...
Ela era feliz na espera de um “milagre”.
O “Milagre” de um dia ser “inteira”, para que sua felicidade fosse verdadeira e ela se tornasse uma mãe ainda melhor...
Uma mãe que fosse feliz não só de dia...
Todas as noites, TODAS, Felizbona dormia abraçada em seus próprios braços, ou com um travesseiro... E a dor da solidão que de dia se escondia, se manifestava como um monstro devorador de alegrias... E Felizbona chorava...
Sem ninguém ver, ela chorava.
Chorava de saudades dos braços que sua alma esperava.
Ela chorava!
E, todas as noites, dormia em lágrimas...
Lágrimas estas, que jamais ninguém conheceu. Porque de dia, ela se levantava com a alegria e ninguém poderia imaginar o que sofria... ( Afinal, ela era mãe...).
Todavia, um dia, o MILAGRE chegou e Felizbona poderia ser feliz de noite e de dia!
Isso seria incrível!
Ela merecia...
E ela foi uma verdadeira guerreira... Corajosa, nobre e fiel.
Foi temente a Deus em tempo integral!
Foi justa e verdadeiramente digna de honra.
Enfrentou gigantes por seu MILAGRE, seu MELHOR PRESENTE...
Ela foi valente, muito valente!
Com asas feridas, ela alçou o voo mais alto de sua vida.
Tremia de medo, pois sabia que se o seu MELHOR PRESENTE não a segurasse, ela cairia no abismo...
Todavia, o risco valeria pela chance de ser “feliz de noite e de dia”...
Hoje, ela está no abismo mais cruel.
Sem adeus foi deixada...
Nem adeus, mereceu...
E a mãe que um dia foi, morreu.
Por mais que ela se esforce para sobreviver, a morte é parte do seu ser.
E não há mais alegria, nem de dia...
As noites não são como antes, são piores.
Ela ainda dorme abraçada com seus braços. Porém, não há mais a esperança do amanhecer e nem mais a espera do SEU MILAGRE receber. ( Ele já veio e a abandonou... No abandono mais cruel, injusto e tenebroso...).
Hoje, no dia das mães, Felizbona acordou lembrando-se de que será “T” a receber as honras de uma mãe, pois Felizbona quis ser tão santa e temente ao seu Deus que se privou de dar ao seu MELHOR PRESENTE um filho...
E talvez, “T” tenha até ganhado um presente, ou os parabéns...
Mas, Felizbona ganhou apenas o abandono... ABANDONO Sem adeus...
Hoje, no dia das mães, peço perdão aos meus filhos por não poder ser a mãe que desejei.
Mas, com certeza, eles são os filhos que sempre sonhei.

“P” e “J”, eu os amo mais do que poderia expressar.
Se eu quis ser feliz, foi por vocês em primeiro lugar...
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